Vale a pena mudar de curso na faculdade?

Mudar de curso

Você fez tudo certinho. Pesquisou bastante sobre o curso de graduação que você queria fazer, realizou teste vocacional e decidiu qual carreira seguir. Entrou na faculdade e então vem uma série de descobertas. E, de repente, vem uma constatação incômoda de que aquela graduação não é para você. Nessa hora, surge a pergunta: vale a pena mudar de curso depois de já ter feito alguns semestres da faculdade?

Trocar de curso pode parecer um bicho de sete cabeças, mas a verdade é que essa mudança é mais comum do que parece. Apesar do esforço que você precisará fazer para mudar de curso, a decisão pode levar a uma vida profissional com mais realizações e sucesso. Mas como saber se esta é a hora certa de mudar de carreira? Quais os benefícios de repensar a sua graduação? Neste post você irá saber tudo sobre esse processo tão importante para a sua trajetória profissional.

O que pode indicar que está na hora de mudar de curso?

Você é daqueles que sempre sonharam em seguir uma profissão? Ou você decidiu sobre a sua graduação em cima da hora, ao preencher a inscrição do vestibular? Você procurou auxílio profissional para definir a área que iria seguir?

Não importa como foi seu processo para escolher uma graduação. Sempre estamos propensos a começar uma faculdade e nos depararmos com a seguinte realidade: não nos encaixamos naquele contexto e, talvez, seja a hora de mudar de curso.

Para saber se a mudança é necessária, antes de tudo é fundamental pensar muito sobre o tema e se conhecer, sem ceder às pressões externas. Confira alguns sinais que podem ser indicativos importantes de que é preciso repensar sua futura carreira:

1. Desinteresse pela sua formação atual

Sabemos que o período da faculdade nem sempre é fácil. Provas, trabalhos e ter contato com tantos conteúdos novos exigem comprometimento e dedicação dos alunos. Isso tudo faz parte desse processo e dessa fase.

Mas se você sempre está desanimado para as aulas e não se envolve com nenhuma das disciplinas do seu curso, isso pode significar que algo não está certo. Esse desânimo pode inclusive levar a um baixo desempenho acadêmico, o que pode trazer ainda mais frustração.

Caso você perceba que esse desinteresse não é apenas uma fase, tente descobrir o que pode estar causando essa frustração. Talvez falte afinidade com a área escolhida e vontade de continuar nela. Nesse caso, persistir no seu curso atual pode ser um erro.

2. Sem perspectiva para a carreira futura

Quando os professores falam das possibilidades e opções de trabalho na sua área, qual o seu sentimento? Você se imagina atuando em alguma dessas funções?

Um exercício simples pode ajudar a descobrir se você tem perspectivas na sua área. Tente se imaginar daqui a cinco anos: o que você estará fazendo? Está trabalhando em uma profissão relacionada à sua graduação atual? Caso a resposta seja não, verifique se mudar de curso pode ajudar a atingir esse objetivo ou como você pode agir para traçar uma nova rota.

3. Decepção com o seu curso

Muitas vezes, idealizamos um curso dos sonhos ou uma determinada área e quando começamos a graduação percebemos que essa formação não era exatamente como pensávamos.

Para evitar essa decepção, é importante você levar em conta que a faculdade tem fases e que, muitas vezes, a graduação começa muito teórica para só depois entrar em disciplinas mais práticas. Também pode haver áreas que não são do seu interesse, mas outras que têm mais a ver com o seu perfil.

Assim, vale tentar alternativas para o seu curso como pesquisar as grades curriculares em outras instituições ou conversar com profissionais da área. O importante é perceber o quanto é possível contornar alguns dos obstáculos que irão surgir no meio dessa caminhada. Caso seja uma frustração generalizada com o curso, repense a continuidade da sua formação o quanto antes.

O que fazer antes de mudar de curso?

Você fez uma análise profunda e acredita que é hora de mudar de curso? Então vamos a alguns pontos importantes que devem ser avaliados antes de você tomar essa decisão:

1. Priorize o autoconhecimento

Antes de tudo, esse processo de mudar de curso na faculdade exige muito autoconhecimento. Você precisa saber exatamente o que está levando você a tomar essa decisão.

Se for algo temporário ou apenas uma fase difícil, você deve insistir um pouco mais. Caso seja algum problema com a instituição de ensino ou com os seus professores, vale procurar alternativas de transferência de curso para outra faculdade.

Nesse momento, pense no que pode ser melhor para você. É importante ouvir a opinião dos seus pais ou de pessoas mais experientes, mas lembre-se que geralmente nós sentimos quando uma decisão é ou não acertada. Assim, confie também no que diz o seu instinto.

2. Busque ajuda profissional

Às vezes, vale a pena buscar o acompanhamento de algum psicólogo ou de um orientador vocacional para tentar entender essa necessidade de mudança e tentar chegar a uma opção mais assertiva para o seu perfil.

Um teste vocacional também é uma boa alternativa para encontrar uma carreira que atenda aos seus propósitos e que faça sentido para você. Falar com profissionais da área que você pretende seguir é outro caminho para entender melhor o mercado e saber o que esperar dessa nova profissão.

3. Faça testes

Aproveite seu tempo como universitário para testar possibilidades. Faça estágios em diferentes campos dentro da profissão que você escolheu, envolva-se em projetos experimentais e sempre avalie o que lhe agrada mais naquela área.

Às vezes vale fazer algum trabalho voluntário ou desenvolver um projeto de curta duração que permita o contato com outras profissões. Assim, será possível testar uma nova área antes de mudar de carreira.

4. Fique de olho no tempo de graduação

Um dos aspectos que mais impactam na hora de definir se você deve mudar de curso ou não é o tempo e o dinheiro que você investiu na sua primeira escolha de graduação. Quando o acadêmico percebe no início da faculdade que deve optar por outra carreira, fica um pouco mais fácil. Mas e se você já está na metade ou na reta final do curso?

Nesse caso, o assunto fica mais espinhoso, já que muitas vezes você terá que começar do zero e isso irá atrasar a sua trajetória profissional. A decisão pela mudança de faculdade é totalmente pessoal e depende de cada situação, mas quando falta pouco para se formar vale verificar se seria possível procurar uma especialização dentro de uma área que seja de seu interesse ao invés de mudar de curso. Também é importante cogitar se com aquela formação não será possível encontrar um posto que case mais com seu perfil.

Se ainda assim você acredita que não tem mais tempo a perder e quer embarcar em outra graduação, é sempre válido lembrar que os conhecimentos adquiridos no seu primeiro curso podem ser usados em outras áreas e projetos multidisciplinares.

Além disso, lembre-se que você desenvolveu habilidades essenciais para qualquer posto, como saber trabalhar em equipe. Muitas vezes você vai escolher mudar de curso, mas não de área. Isso facilita bastante, porque muitas disciplinas poderão ser aproveitadas e o tempo para a conclusão da nova graduação será reduzido.

Mudar de curso

Lembre-se de algo importante ao mudar de curso: você não está sozinho!

Independentemente do momento em que você tomar a decisão de mudar de curso, esse processo é algo bem comum. Prova disso aparece no Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento revelou que, em 2017, 11,5 milhões pessoas estavam matriculadas no ensino superior no País, mas 16% desses alunos desistiram do curso, 11% estavam com as matrículas trancadas e 0,8% pediram transferência para outro curso dentro da mesma instituição de ensino.

Nesse mesmo levantamento, o Inep analisou a trajetória dos alunos nos principais cursos de licenciatura do País. Entre 2010 e 2015, 41,7% dos acadêmicos de Pedagogia desistiram do curso. A desistência ou troca de curso faz parte tanto do cotidiano das instituições públicas quanto das privadas.

Dos alunos que ingressaram em instituições federais de educação superior, 21% fizeram o Enem mais uma vez em 2017. Isso mostra que eles tentaram entrar em outra graduação ou universidade em um mesmo ano. Ou seja, apesar de ser uma decisão difícil e que deve ser bem analisada, mudar de curso faz parte da realidade de boa parte dos universitários brasileiros.

Mudar de curso

Mas, afinal, vale a pena mudar de carreira?

Encontrar uma carreira com a qual você se identifique e que acredite é importante para que você se dedique a ela e consiga ter sucesso profissional – e isso é uma decisão pessoal. Afinal, escolher com o que se quer trabalhar exige autoconhecimento e muita reflexão.

Caso você perceba ainda na faculdade que a sua realização profissional e pessoal talvez esteja em outra profissão, invista nisso, mas com consciência e tranquilidade. Não tome decisões precipitadas ou sendo influenciado por pressões externas.

No livro Como encontrar o trabalho de sua vida, Roman Krznaric aborda essa questão de mudança de carreira. O filósofo cita que, apesar de praticamente metade dos trabalhadores não estarem satisfeitos com seu trabalho, poucos têm a coragem de mudar.

Isso acontece porque, muitas vezes, os profissionais já investiram anos em uma trajetória, o que torna difícil recalcular a rota. Então tomar essa decisão ainda na faculdade pode representar ganho de tempo e dinheiro lá na frente.

Na opinião de Krznaric, é natural querer uma mudança de carreira, já que somos pessoas em constante evolução e muito diferentes em cada momento de decisão. Ele acredita que quando o profissional não muda de carreira quando sente que deveria, pode ficar preso em cargos que não combinam mais com a sua personalidade, ideias ou expectativas. Isso pode impactar no sucesso profissional e levar a situações de estresse ou ansiedade entre os trabalhadores.

Depois da decisão tomada, como fazer para mudar de curso?

O aluno que optar por essa troca durante a graduação tem algumas alternativas. A primeira é solicitar a transferência interna, ou seja, mudar de curso dentro da mesma instituição de ensino. Também é possível solicitar a transferência externa para outra universidade.

Cada instituição tem suas regras e exigências para esses processos. Caso o curso tenha algumas disciplinas em comum, é possível abater parte delas, o que depende de uma análise da instituição de ensino. Em alguns casos, a alternativa mais viável é fazer novamente o vestibular ou algum outro processo seletivo.

Se você acha que chegou o momento de mudar de curso, verifique as diversas opções oferecidas pela Estácio. Confira no site da universidade quais são as graduações disponíveis, as suas grades curriculares e modalidades de ensino, com cursos presenciais, a distância e flex. Veja ainda as oportunidades de bolsas de estudos, inclusive para transferência externa.